sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Grafton April 2020


Caminhando na Floresta, com os amigos, a brotherhood, a nossa expedição no mundo mágico dos cogumelos. A longa estrada antes, horas e horas até Bellingen e mais 45 minutos até Grafton e uma hut no meio da bush. A fogueira acesa logo que chegamos, todos arrumam as coisas no lugar e logo estamos sob o céu estrelado em volta da fogueira, prontos para a jornada do dia seguinte.
A forte neblina a noite, comida sendo preparada no fogo, os meninos confraternizando e logo fomos dormir. A manhã seguinte começamos cedo com um café da manhã leve e sentia a energia dos preparativos para uma cerimônia, todos com suas intenções em suas mentes e começamos a preparar os chás de cada um, com a escolha da dose que cada um sentiu.
Eu já estava me preparando para uma grande dose desde que decidimos ir para essa jornada, queria entrar em total contato com o mundo dos Cogumelos, Honchos, Mushrooms, já tinha tido algumas boas experiências antes, outra tanto diferente quando reagiu errado na minha barriga, mas nunca tinha ido pra perto das 5g de uma vez e eu estava pronto.
Sentamos em uma grande roda, éramos 11 dessa vez e fizemos uma espécie de abertura, outros irmãos que já tinham ido em cerimônias e outros completamente pela experiência. Abrimos os trabalhos, tomamos nosso lemon juice e fizemos breathing work, ciclos de respiração, abri os olhos e as nuvens já estavam em camadas, levantamos e fomos caminhar na floresta logo ao lado de onde estávamos.
Foram apenas alguns metros a diante e senti como se um portal tivesse aberto no meio da floresta e fomos submergidos para essa outra dimensão.
O grupo estava junto nesse ponto, alguns começaram a desmoronar, sentando no chão, deitando, não conseguindo se comunicar e eu sentia essa vibração aumentando e aumentando cada vez mais, os visuais já eram muito intensos e eu mau conseguia conceber o que eu via e sentia.  O barulho dos outros meninos começou a me causar desconforto, as risadas, tosses, brincadeiras, começaram a me incomodar e eu tive que me afastar, sentia que algo grande estava por vir, não queria estar sozinho mas não me sentia confortável com o resto do grupo. Tive que me afastar e em minha mente vinha que eu tinha que procurar o Beppe, ele tbm tinha tomado uma high dose e eu não via ele por perto.  
No meio dessa turbulência mental, as plantas tomando vida, as árvores com longos braços me apontando o caminho, pequenos gnomos corriam pelo chão, limpando o caminho por onde eu andava, mandalas saltavam das árvores, as veias iluminadas das plantas, esse arbusto em forma de fractal me puxava pra dentro sempre que eu olhava pra ele. Vi o Beppe andando lá no fundo e fui na direção dele, disse que eu precisava sentar e queria ele por perto.
Nesse momento minhas memórias são vagas do que aconteceu, mas os visuais tomaram conta de mim, da minha mente e meu corpo, comecei a fazer sons e me mover de forma aleatória. Meu corpo estava possuído por essa energia, comecei a gritar como se eu estivesse em uma montanha russa. Oh my gosh! Broootherrsss! Beppe estava nas minhas costas me segurando e foi quando eu tive essa incrível experiência com ele, como se nossos corpos e mentes tivessem se unido, eu conseguia ver e ouvir o que ele pensava e ele o mesmo, eu via pelos olhos dele, pude me ver em seus braços e num lapso eu voltava a mim mesmo e acontecia de novo. Essa integração total com o próximo, me sentia integrado com a Natureza e todos os seres, as árvores falavam comigo, os elementais, muito intenso, fazendo eu perder todos os sentidos e apenas sendo guiado por essa força maior.
Em um momento levantei, forte e imponente, como se eu tivesse esse líder comigo, um líder maori ou alguma tribo parecida, sentia ele dentro do meu corpo, comecei a tirar minha roupa, meus sapatos, estava em meu elemento e comecei a falar muitas coisas nesse momento, para a irmandade, como um sermão para as montanhas, para todos ali, para mim mesmo principalmente. 
Começava a voltar a mim, começava a entender e apreciar os visuais novamente, ficando mais gentis e deixando eu apreciar com mais tranquilidade. 
Sentei numa árvore caída, ainda falava com esse líder, olhava para o horizonte e enxergava essa dimensão de fractais e símbolos e seres pairando pelo ar.... a energia foi baixando e o Jonas e o Paul me encontraram, trouxeram meu poncho e estávamos todos de volta para essa dimensão e eu já podia sentir o calor do fogo que acenderíamos de volta ao acampamento.
Todos nos encontramos pelo caminho, todos esboçavam aquela cara de: Meu Deus! O que aconteceu agora? E ríamos contando nossas experiências.
De volta para a hut, acendemos o fogo, comecei a tocar o Yidaki, o Sol se punha no horizonte, uma nuvem na frente e quando essa aos poucos se abria para o Sol passar uma imensa borboleta de luzes se formava aos meus olhos vendo os raios solares se abrirem de forma espetacular. Aplaudimos, a empolgação das maravilhas diárias de Natureza, que nunca prestamos atenção mas quando paramos para observar entendemos a complexidade das coisas simples da vida. Quão intenso e mágico pode ser o pôr do Sol. 
Noite adentro, mais comidas ao fogo, histórias e reflexões, muitas reflexões. Eu e o Beppe nos abraçamos sem muitas palavras sabendo o que tinha acontecido, ainda integrando. Um pequeno pedaço de chocolate com mais um pouco de cogumelos para carregar-nos para a noite, violão tocando músicas do coração, era noite de Lua Cheia, os meninos uivavam pra a Lua, em estado bruto todos nós lá estávamos.
Todos juntos e cansados depois de uma jornada incrível em outras dimensões. Muito para ser processado.
Um dia seguinte leve e tranquilo com um bush walk e a estrada da volta foi flutuando sob nossas rodas.
E a mágica da vida continua sem parar. Cogumelos são seres sagrados de muito difícil de explicar em palavras e conseguir conceber nessa ordem de pensamento feito por palavras de conseguir definir a profundidade dessa experiência. Continuar estudando e aprendendo e me comunicar com essa entidade pré histórica que habita o nosso planeta e pode ser tão poderoso de diversas formas. A grande Maria Sabina sempre vem a minha mente nesses momentos e como ela tratava os honchos como seres iluminados e o respeito que se deve ter ao se comunicar com esse ser. Agradeço a oportunidade de poder ter experiências como essa e me aprofundar dentro do conhecimento do meu próprio ser, da minha existência e como levar a vida mais integrado comigo mesmo e com os Seres Superiores. Viva! 

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Tassie e os UFO's

Na virada do ano de 2019/2020 nós fomos para a Tasmãnia, essa ilha ao sul da Austrália que antes eu só conhecia de ouvir falar do tal do Demônio. Claro que minha vida aqui na Australia me trouxe um pouco mais de conhecimento mas nada muito profundo que me fizesse saber que esse lugar seria tão mágico.
O destino inicial foi Hobart, essa linda cidadezinha, pacata e aconchegante com arte transitando por suas ruas e pessoas muito simpáticas, mas aquele ar meio sombrio, me sentia em um livro de conto de fadas mas andando pelas vielas sombrias quando o hermitão vai ao encontra o velho mago na montanha...nah, ainda não, a cidade é uma graça e fomos para o museu MONA, que tem uma história toda peculiar com o seu fundador David Walsh e o quanto esse apostador quebrou os cassinos e fez sua riqueza.
O MONA foi sensacional, muita arte, o lugar todo, o prédio onde o museu é situado, é tudo muito surreal e te leva pra outras dimensões. Na volta estava acontecendo esse evento de comidas e bebidas, paramos para ver o que acontecia e subitamente me senti hipnotizado por essa banda tocando o disco Revolver dos Beatles, open band, músicos subiam e desciam do palco, uma grande jam, essa cara que parecia o David Lynch, com uma gravata torta, copo na mão, cantando: I WANT YOU, I WANT YOU SO BAD. Uff...consegui dar uns bolas com uns senhores de uns 60 anos que fumavam um do lado de fora e assistindo a banda. Na verdade, vi as pessoas mais velhas serem bem descoladas em Tassie. 


Dia seguinte pegamos a van e partimos para a estrada, aplicativo de camping indicando os melhores lugares para passar a noite, um monte de camping grounds em todos os lugares, pinguins cantando a noite inteira e fomos seguindo para o norte da costa leste da ilha.
No dia 31 paramos nessa Friendly Beach e achamos um camping muito bacana com um manager super simpático que logo mostrou onde deveríamos parar e os lugares para ir visitar ali na área.
A oferta desse ácido mais potente por um amigo me fez achar que era o lugar ideal para experimentar e realmente bateu intensamente mas não muito prazerosamente, me senti travado, queixo batendo e o Sol rachando na cabeça, sentados na praia, tocando a cantando, me sentia estranho e as tentativas da Gabi no ukulele me incomodavam, nossa conexão já estava perdida logo no começo da viagem, como costumeiramente, algum motivo banal, a fagulha riscada e todo um temporal que se desaba sobre nós dois. Mas ainda me sentia focado em curtir e aproveitar ao máximo. Voltamos para a van para comer e nos refrescar. Sentado ali na cadeira, Gabriela cozinhando algo e ela aponta para o céu me perguntando o que era aquela luz. Eu ainda sentia os efeitos do ácido e sim era muito clara aquela luz no céu e parecia algo totalmente diferente. Eu não quis acreditar logo de cara e comecei a colocar todas as possibilidades que poderiam ser, avião? Balão? Lixo espacial? Mas voando dessa maneira, não era uma linha reta, fez variações no ar e sumiu...sentia meu coração disparado e incrédulo, justo eu, um grande admirador das civilizações interestelares não queria acreditar na primeira vez que eu visualizasse, queria ter certeza absoluta do que eu tinha visto.
Cante Raul Seixas: Ooo seu moço do disco voador, me leve com você, pra onde você for. Me senti conectado com a minha mãe, senti a presença dela e o sonho de voar numa espaço nave. Sentia todo esse turbilhão de emoções claramente amplificado pelo ácido e tive uma explosão de emoções com a Gabi e o jeito estranho e peculiar dela….desabei em choro forte, como a muito tempo eu não chorava, achei que ali era nosso fim mesmo, entendia toda essa não conexão entre nós dois, o quanto as nossas diferenças nos afastavam de verdade, o quanto era difícil para nós dois vivermos aquela situação, o quanto era pesado e estava acabando com a nossa sanidade, com a minha sanidade. Quase fomos embora. Respira, silêncio, silêncio, silêncio, 3, 2, 1…..feliz ano novo….que merda….
Vamos para a praia, com aquela garrafa de champagne mais cara que era pra ter sido aberta no momento exato, foda-se a garrafa de champagne mais cara, eu pouco me importo, queria só estar com um puta sorriso no rosto naturalmente...mas isso tem sido difícil ultimamente…
Bebemos a garrafa até o fim, cada gole deveríamos dizer em voz alta uma lembrança boa entre nós dois, terminamos a garrafa bêbados e um pouco mais calmos e aliviados...
Esse grupo andando de longe pela praia, vem subindo a costa onde estávamos sentados no pico, esse barco de pescador invisível no meio do oceano com aquela luz intensa como uma estrela na escuridão do mar, logo pergunto se o que ele fumava era um beck ( sim, eu tava sem nada lá) e ele diz que eles tinham no onibus deles...fui presenteado com alguns nugs de uma planta bush daquela terra que eu me senti muito honrado de ter me encontrado. Altos papos com a moçada e voltamos para a praia onde mais uma vez vimos luzes no céu, duas simetricamente voando juntas, bailaram por um tempo em direções aleatórias mas sempre juntas simetricamente e sumiram….era demais pra acreditar...mas sim, pareceu ainda mais real….
O Sol nasceu como um poster dos anos 90, neon style, sim, eu tinha tomado o resto que eu tinha e a manhã trouxe novos ares e partimos assim que acordamos. Seguiamos em direção das árvores gigantes no lado Oeste e continuamos parando até chegar nas Craddle Mountain, totalmente isolado e realmente muito jurássico, com plantas gigantes, samambaias árvores e eucaliptos de tamanhos comunais. Eu esperei a todo momento que veria algum dinossauro aparecer, mas vimos muita fauna, muito animais. Chegamos até essa velha senhora de mais de 400 anos e a energia era muito intensa, muito respeito, muita admiração, música na floresta e após uma trilha no dia seguinte tive uma outra grande conexão durante todo esse trajeto, muito pensativo e emotivo. Esse senhor vestido igual meu pai me trouxe dor e saudades, sentia a vibração daquela terra muito forte, o caminho inteiro eu ficava olhando para esse monte ao fundo, me sentindo na presença daquela montanha me olhando enquanto eu caminhava por lá….olhei no mapa e o nome era Mt Olympus.
Perdi a chave da van, tínhamos poucas horas pra voltar pra Hobart e pegar o vôo de volta, pânico e desespero de novo, aquela tensão que me afunda no limbo, mas eu não podia perder o foco e pedindo pra toda a floresta achei a chave de volta, Voltamos pra Hobart e após conseguir parar pra comer algo voltamos pra Sydney. Intenso. Fiquei ainda processando por muito tempo toda a intensidade dessa terra e uma vontade certa de que voltarei algumas vezes, quem sabe não ser o hermitão da velha cidade de Hobart.
Valeu Tassie








quarta-feira, 6 de junho de 2018

Valparaíso / Santiago - Chile Mar 2018


Na volta para Sydney após a minha estadia no Brasil decidi ficar quatro dias no Chile, pois era a minha conexão de vôo e como nunca tinha ido, arrumei o motivo. Contatos feito antes com um amigo em comum me arrumou uma festa para discotecar em Santiago, mas antes eu após ouvir recomendações de amigos, decidi ficar dois dias e meio em Valparaíso, ou Valpo. Essa pequena cidade nas montanhas, cheia de ladeiras, prédios antigos e bombardeada de grafites por toda a cidade. Eu como um amante da street art me mandei pra lá direto do aeroporto e assim que deixei as malas no hostel sai para uma caminhada de longas horas. Não cansava de ver todas as artes impressas em todas as frestas dessa cidadezinha e foi amor à primeira vista, voltei cansado para o hostel depois da longa caminhada mas descansar era minha última opção.
Peguei algumas recomendações com o rapaz da recepção do hostel que me deu vip para algumas baladas da cidade, mas realmente nada que tivesse me interessado...ele também me disse quais lugares eu não deveria frequentar a noite pois eram perigosos principalmente para turistas...expliquei logo que eu era de São Paulo no Brasil e que ser assaltado era algo que fazia parte da rotina da minha cidade..ele desconfiado me disse que eu não deveria ir para esses lugares, guardei o aviso e deixei que acontecesse o que tivesse que acontecer...e foi num bate papo na recepção com uma garota que ela me disse sobre esse bar tradicional em uma das praças da cidade que acontecia música ao vivo. 

Acho que nem comi, tomei duas cervejas pesadas pra matar a fome e estava pronto para sair para as ruas a noite, fui em direção a esse bar e no caminho me lembrei que esse era o bairro que o rapaz da recepção disse que eu não deveria frequentar, tarde demais, lá estava eu andando pelo lugar, meio sinistro, minha cara com essa barba e tattoos chamam atenção, mas não me deixei intimidar e fui para esse pequeno bar chamado Liberty. Meio vazio quando cheguei, peguei uma garrafa de cerveja de um litro chamada Escudo e me sentei em uma das mesas do pequeno bar, desses bem de cara de bar de interior, só um tiozinho atendendo e enfim, achei por algum momento que poderia ser furada, mas esperei para ver o que aconteceria. Essa cara chamado Pablo pediu para sentar na mesma mesa que eu, já que era somente eu em uma mesa para quatro pessoas e começamos a conversar, sim, eu desenrolo meu Portunhol e consigo me comunicar com pessoas que falam espanhol e assim fomos até que começara a chegar os músicos e o bar foi enchendo cada vez mais e BOOM! começa a música com uma dança tradicional chamada La Cueca, uma música de característica antiga, tocavam pandeiros de um jeito que eu nunca tinha visto, colheres, pires, dançavam com um lenço na mão e aquilo foi me contagiando cada vez mais, claro que depois de várias garrafas da cerveja e de shots que as pessoas me ofereciam, enfim, lá estava eu bêbado e aprendendo os passos da Cueca.

Alguns baseados depois com o Pablo o bar fechou as 03:30 da manhã e eu ainda empolgadíssimo com as pessoas fui convidado para ir para a Plaza Anibal Pinto, outro lugar que o moço da recepção disse que eu não deveria ir de jeito algum durante a noite, mas nesse momento eu estava só com locais então me senti seguro, no caminha Pablo me disse para não pegar o celular do meu bolso lá e entendi que era realmente um pouco perigoso mas agi normalmente e conversava com os locais todos muito animados, enfim, a praça tava pegando, oferta de drogas a todos os minutos, pessoas vendendo bebidas escondidas, um clima muito massa, vi o dia amanhecer na praça e voltei para o hostel para poucas horas de sono. No dia seguinte andei por toda a cidade, todas as calles, visitei a casa de Pablo Neruda em uma das montanhas e não queria mais sair de lá, por mim eu teria ficado mais um mês somente em Valpo, mas era hora de partir para Santiago pois eu tinha essa gig para tocar a noite e meu contato um chileno bacana chamado Javo. Aliás, esse Pablo se ofereceu a me levar para a rodoviária e senti que ele realmente era um cara muito legal. 

Cheguei em Santiago a noite e quase que o mesmo aconteceu, deixei minhas coisas no hostel, banho e parti para o lugar onde seria a festa. Um restaurante que nos finais de semana esses caras tiram tudo o transformam numa ilegal party, equipada com cameras para o lado de fora da casa para ver se a polícia esta chegando e com uma luz na frente dos djs que quando acessa significa que deveríamos abaixar o som, estratégia foda e segura para festa ilegais que vou guardar pra sempre na cachola. Enfim, acho que a galera não curtiu tanto meu set, já que eu não toco fritação, mas enfim, fiz minha hora lá e fui curtir um pouco depois do pagamento ter sido feito em uma cap. Voltei pra casa de manhã e tinha que aproveitar o meu último dia em Santiago, já que eu iria voltar no domingo. Sai para conhecer a cidade, enfim, cidade grande, nada de tão atraente aos olhos mas fui comer algo, tomar uma cerveja e ver se andava por alguns lugares conhecidos lá.

Queria uma Cumbia! Queria muito uma festa de Cumbia! Perguntei para uns 3 garçons dos lugares que passei e todos me disseram o mesmo nome. La Fonda Permanente, pronto, era pra lá que eu iria essa noite. Acostumando com a vida de Sydney fui informado que só deveria ir para lá depois das 1 da manhã, me senti em São Paulo novamente. Após jantar e outro banho, me mandei pra lá e porra! a festa era muito legal! A princípio vi que era uma festa que só tinha locais, nenhum turista, somente eu e fiquei na minha lá, curtindo o som e arriscando alguns passos de dança e instantaneamente fui abraçado pelo pessoal que estava na festa, começaram a me pagar bebidas, me ensinar passos de dança, passavam o baseado para eu fumar, aquela coisa linda de viver, de novo, sai da festa era de manhã já e eu tava com o peito cheio de alegria. Dormi poucas horas no hostel, acordei atrasado para o aeroporto mas cheguei a tempo, fui embora do Chile com aquele sentimento de querer voltar e explorar ainda mais essa terra linda.

Fui com uma impressão pelo o que outras pessoas me disseram de que os chilenos eram mais fechados e não tão cordiais com turistas e sai de lá carregando os chilenos no meu peito com muita alegria de ter sido tão bem recebido, de ter tido tão bons momentos, de ser acolhido como Latinoamericano, de ver que meu portunhol é suficiente para ter boas conversar com pessoas que falam somente espanhol e de que a nossa América Latina é esse misto de emoções e intensidade que vibram em todas as paredes de todos os lugares.

Gracias a La Vida!






terça-feira, 5 de junho de 2018

Brasil Brasil Brasil! Fev 2018





Foi mais uma ida ao Brasil, depois de 1ano e 9 meses desde minha última vez, voltei para a terra onde meu coração bate, bate amaldiçoado e frenéticamente, das saudades da Pátria Não Tão Gentil e de se encontrar com os medos e anseios que minha terra me provoca. Tudo tão nostálgico mas ao mesmo tempo me faz não querer estar lá quando encaro violência e a situação que meu povo vive. Segunda vez depois de 4 anos morando na Austrália, reencontros e mais reencontros, com a família, amigos, as ruas, meu bairro, o centro velho, as pequenas mudanças, as grandes mudanças, tudo do mesmo jeito que eu deixei, tudo tão diferente do jeito que eu deixei.
Cheguei em fevereiro, como um bom folião apaixonado pelo Carnaval, depois de 4 anos sem esse calor no meu peito, tive que ir para isso. Para ser mais agraciado, consegui pegar o último ensaio da Rosas de Ouro, a Rosas do meu coração, tão amada por mim, fui com os meus melhores amigos, enchemos a cara, fiquei no samba na rua até as 08:30 da manhã, queria fazer minha casa lá e morar naquele momento para sempre.
Fui, encontrei amigos que fiz aqui na Austrália lá, Jonas e Nico, no Rio, porra, o Rio no Carnaval, pela primeira vez lá durante o Carnaval, que foda, que sensação indescritível, tantas memórias, tantas loucuras, 3 dias sem dormir, fiz todos os blocos de carnaval que pude, os clássicos principalmente, não os famosos, os clássicos.















Santa Tereza foi o bairro que fiquei mais tempo, o Aterro do Flamengo era o quartel general, a Lapa, aaaaahhh a Lapa, aquele frenesi de milhões de coisas acontecendo, vira uma esquina e bang, algo sensacional está acontecendo...
Escrevi esse pequeno texto postado no meu facebook depois da loucura do Carnaval no Rio

"Meu primeiro Carnaval no Rio. Blocos, bloquinhos, blocões, Carmelitas, Cacique de Ramos, Orquestra Voadora, Amigos da Onça, Me Enterra na Quarta, Sapucaí, Portela, Salgueiro, amigos antigos, novos amigos, a Babilônia das ruas do Rio, a cultura fervilhante em todos os cantos, sambas, afoxé, ijexá, marchinhas, baile funk até o chão, música eletrônica brasileiríssima até o caroço no Beco das Artes, Lavradio, Lapa, Santa Teresa, um milhão de boas sensações e memórias que me botam um sorriso largo no rosto.

Acabou tudo num temporal, lavando a alma e os corações dos foliões ( meus sentimentos para aqueles que perderam tudo nessa chuva, para aqueles que se foram, paz!)

Obrigado Zé Pilintra pela proteção de me fazer andar pelas ruas de sua cidade sem que nada de ruim tivesse me acontecido, te vi naquele grafite escondido em uma viela, nos vimos, caro amigo.

O Rio é loko! Deixo a cidade maravilhosa com a carne ainda mais de Carnaval pois meoração é igual. Trago na pele purpurina para uma vida inteira. Só brilho! Só mais amor e paixão pelo Carnaval. Obrigado Rio! Foi foda demais! Ass: o maior folião do Brasil!"


Flashback: Bloco Me Enterra na Quarta, fim do Carnaval, chove nas ruas de Santa Tereza, todos descendo sentido a Lapa, a banda de lábios sangrando e mãos cheias de bolhas cantam Emoriô, sem microfones, somente as pessoas cantando "EEeeeee mo ri ôoo, Eeeeee mo ri ô". Chorei, não pude contar, as lágrimas com o sorriso no rosto que ninguém percebia por conta da chuva. Momento sublime de importância fundamental para minha vida!

Voltei para SP de alma lavada e coração cheio, São Paulo ainda continuava em festa, pós carnaval né...teve mais um ou outro bloco durante o fds, mas no domingo preferi um churrasco em casa com todos os amigos. Eri e Caio vieram em casa, tocamos para o meu amado pai, que anda dodói em sua constante batalha mas pude ver ele se encher de alegria ao ver meus amigos no quintal de casa, tocando as suas músicas favoritas, todos se foram, sobraram nós três até a última gota da última garrafa de cachaça.


Jonas, Nico, Phillipe e Jess vieram para SP, levei eles no rolês, Rick e Natalie também estavam, um time da pesada com muita disposição para baladas sem fim, centrão, D-Edge, Madalena, tudo muito intenso e verdadeiro. Passeamos pela terra da garoa e eu me sentia um guia turístico explicando o valor das coisas para os gringos que muitas vezes não entenderiam se ninguém tivesse explicado. Queriam conhecer minha família, vieram para um almoço de domingo, daqueles que acontecem na maioria das casas do brasileiros e eles amaram, minha família se comunicando da maneira que podiam, eu sendo o tradutor. E todos falando a língua universal. O Sorriso, e isso que me traz ao rosto enquanto escrevo essas linhas.































quarta-feira, 11 de abril de 2018

Laos Dez17/Jan18



Destino foi Laos, de férias de fim de ano, eu e Gabi, parada na China, Kumming, todos me acham esquisito, a barba e as tatuagens chamam atenção, comunicação muito difícil, poucos gestos e expressões e somente chinês falado, fast foods sempre salvam. Chegamos em Laos e uma rápida ida de tuk tuk para o hostel onde a moça simpática já nos deu todas as coordenadas da cidade, minha primeira vez na Asia, tudo muito diferente, me fascino logo pelo movimento da rua e quero sair caminhando. Night Market disseram e lá fomos, chegando na esquina já abordado pelos vendedores de tudo, de tudo mesmo. Fui dar uma volta pela centro, ver todas as coisas diferentes que um mercado ao céu aberto pode oferecer, mas me interessava mais pela comida, queria sentir os sabores pois o cheiro do lugar já me colocava nesse Universo mágico dos sabores. Churrascos em todos os lados, tudo nas brasas do carvão, tudo o que se pode imaginar, o preço me deixa mais feliz ainda, tudo muito barato com o dinheiro que gasto hoje. 

Luang Prabang é a cidade, seu centro sempre bem movimentado, bares abertos em todos os lugares, os locais bebem e festejam a noite, logo já compro umas cervejas Beerlao ( essa foi a única que cerveja que tomei a viagem inteira e trouxe uma camiseta dela ) e tento me comunicar com as pessoas. Sempre todos acham graça do meu estilo e não foi difícil fazer amigos, inclusive um que me ofereceu erva assim que cheguei na cidade, pulei no tuk tuk e 15 minutos depois eu já tinha algumas gramas no bolso. Dias nublados mas quentes, rolês para as cachoeiras na scooter alugada, cenário de filme de Van Damme e Chuck Norris, aquelas montanhas lindas, aqueles caminhos por plantações de arroz e caminhões velhos pela estrada ultrapassando a senhora com 3 filhos pequenos numa mobilete, todos sem capacete. Cachoeiras de águas azul turquesa bem forte, água fria, mas impossível não entrar, sentir as vibrações das águas agitadas. A noite de volta pela cidade, poucos dias depois foi virada do ano, conhecemos o bar badalado, conhecemos o cara mais figura da cidade, tomei um porre de jagermeister, apaguei. Dia seguinte acordo com o cântico nas caixas de som do monastério budista a um quarteirão do hotel, saímos do hotel, voltamos a noite, o cântico ainda rolava em alto volume e não parou até a manhã seguinte. Gosto muitos dos mantras e cânticos de todos os países, mas esse tinha um estilo bem estridente e descompassado e realmente foi uma noite bem difícil de dormir.

Um dia volto pro hostel sozinho trazendo duas garrafas de cerveja na sacola, voltando de uma sessão de cinema ao ar livre na escola da cidade e um grupo fazendo um churrasco na esquina, tocando violão e bebendo lao whisky me chamam pra sentar com eles, logo já experimento o churrasco o que eles cozinham, uns assados e vegetais enrolados com rice paper, uns goles de whisky e a conversa, mais gestual do que em palavras vira em se podia tocar o violão, depois do repertório laones eu toquei um bom e velho Tim e todos se levantaram e dançaram, Cultura Racional no meio de Luang Prabang, era hora de ir pra Vang Vieng.

A estrada foi tortuosa, cheia de curvas, daquele jeito que bota meu estômago de ponta cabeça, e a cidade, muito menor que Luang Prabang dava um clima ainda mais acolhedor, um lugar bem tranquilo mas com muitas opções para se fazer de dia e de noite. Já encontramos um bar de frente pro rio e que acabamos voltando todos os dias, tudo muito aconchegante. Full Moon bar, com a foto do Bob Marley na porta e o cartaz dizendo Laugh Balloons fez eu entrar, no balcão me oferecem o happy menu e vejo que eles vendem vários tipos de drogas, pensei: fu-deu! bang!
Já sabia que era conhecido por ser fácil de encontrar ópio por lá e a curiosidade de conhecer essa planta milenar, citada em pirâmides e escritos muito antigos, fez com que eu pedisse o chá com ópio, como foi recomendado pela senhora que tomava conta desse departamento dentro do bar. Servido um chá qualquer de saquinho com uma bolinha marrom no fundo da xícara, tomei tudo e o final amargo deixou o gosto na minha língua. Deixei que acontecesse. Senti a pressão me apertar, sentir a luz ficar densa e o ambiente pesado como se eu tivesse debaixo d'agua.  Estava sob o controle, estava bem, o bar fechou e tive que voltar para o bangalô




Sentado na varanda do bangalô entrei em estado de inconsciência profunda, tinha uns apagões e me sentia mergulhar dentro de mim, num abismo de pensamentos e sentimentos, voltava em um lapso de tempo, via que a brasa do cigarro estava grande e apagava novamente, muito profundamente, dentro de mim, uma experiência enteógena que conheci nas diversas cerimônias de ayahuaska em que passei, mas creio que de maneira diferente, claro, cada planta é diferente da outra e essa tinha a mesma intensidade, a mesma profundidade. Refleti muito sobre essa ser chamada a planta dos sábios, encontrada em referências nos hieroglifos das pirâmides, dos magos e guerreiros, dos alquimistas, uma substância fez eu me conhecer melhor, mergulhar dentro do abismo do meu inconsciente e ter um encontro muito profundo com a minha pessoa.
Foram algumas horas nessa experiência e sai da varanda para a cama para um sono ainda mais profundo. Acordei no dia seguinte sem ressaca, nem nada, só esses flashbacks sobre o que tinha acontecido na noite anterior e muito pensativo.

Tínhamos mais alguns lugares para visitar e na mesma tarde voltei para o bar para conversar com a senhora que vendia o ópio. Disse que tinha gostado muito da experiência e queria provar de outra maneira, já que ela vendia em outras opções, ela sorriu, disse que eu era forte e que dessa vez eu deveria provar junto com o baseado para que fosse mais gentil e que eu não apagasse e pudesse lembrar mais da experiência. Com o baseado no bolso e uma porção de cogumelos mágicos fomos para uma volta pelos rios e cachoeiras de Vang Vieng, fumei o baseado e realmente foi mais gentil, mas mesmo assim bem intenso, me deixando pensativo e introspectivo, pensando no presente, sem pensamentos do passado ou do futuro, apenas presente, o momento, como deve ser, muito mágica essa substância sagrada e espero me encontrar mais vezes com ela por esse meu caminho.
A estadia nessa pequena cidade turística foi muito agradável mesmo e eu queria ter ficado mais tempo lá, com lugares mais simples, comida de rua, pessoas agradáveis, monges e aquela vibração linda dos deuses das montanhas que circundam todo o lugar. Hora de voltar pra Luang Prabang para mais alguns dias, uma rápida passada no Full Moon Bar para levar outro cigarro mágico para a outra cidade embarcamos em uma van com um motorista alucinado, voltando pela estrada sinuosa em alta velocidade, atropelando galinhas pelo caminho e tirando fina de crianças brincando na rua. Um pouco apavorante mas chegamos intactos.

Mais alguns dias lá, mais algumas idas em cachoeiras, meditação, muita paz, silêncio e tranquilidade. Foi o que eu precisava para começar o ano bem e carregado de energia. Foi após um dia de muita cachoeira que tive um sonho com Oxum, ela linda, negra, com um corpo escultural me olhava no fundo dos olhos! Estava abençoado para um novo ciclo. De volta para Sydney.




quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Burning Seed Festival 2017


O destino era Matong Forest, perto de Wagga Wagga, umas boas 7 horas dirigindo de Sydney, esperávamos todos ansiosos para esse festival, já que ano passado foi cancelado por motivos de chuva e tivemos que mudar os planos para o nosso camping intitulado Cosmic Oasis e que ficou somente Oasis para esse ano. Mas esse ano não, seria o evento principal com toda aquela ideologia de que tudo no festival ser disponibilizado sem dinheiro, ou seja, tudo o que era oferecido no festival, bebidas, comidas e todas as atrações eram sem dinheiro envolvidos, pessoas doando seu trabalho, seu tempo, fazem aquilo acontecer de forma mágica e intensa.
Foi assim no Oasis, trouxemos uma piscina de 10.000 litros, equipamento de som e nossos corações abertos para 5 dias de celebração da vida e da existência.



Muitos campings espalhados pela fazendo, cada um com um tipo de música diferente, alguns somente durante o dia, outros durante a noite, 24horas de música e liberdade, liberdade em um sentido tão amplo que as pessoas não se importavam em vestir roupas ou de parar para ter uma conversa intensa ou somente um olá passageiro e um brinde de copos. 4.000 pessoas juntas, como se fosse um grande grupo. O naturismo estava presente tão naturalmente que não causava nenhuma estranheza em ver as pessoas dançando peladas, ainda mais no nosso camping onde tínhamos a piscina, as pessoas apenas continuavam nuas dançando na pista de dança onde eu e mais outros DJ's tocamos, outros caras que apareceram querendo tocar suas músicas e fazer a festa acontecer...tudo sublime, acontecendo, sem muito planejamento ( claro que pensamos em nosso camping antes ) mas tudo o que aconteceu foi pura sinergia do Universo fazendo aquelas pessoas juntas construirem algo naquele lugar, naquele momento.



Me senti totalmente livre no momento da queima da efíge, o Burning Man, que incendiou-se, com todos dançando a sua volta e quando a estrutura rompeu as barreiras e desmoronou foi qndo quase todos, que sentiram essa onda de liberdade começaram a tirar as roupas e correr envolta daquela gigantesca fogueira. Sentia a atração do fogo, hipnotizado pelas chamas foi me aproximando do fogo e vendo as pessoas em ecstasy correndo, correndo, correndo, correndo, minhas roupas já estavam em minhas mãos, logo depois que ganhei um abraço e um sussuro no meu ouvido dizendo: be free! Não pensei em nenhum momento que ficaria despido assim em público e o que mais me enchia de energia é que eu não sentia alguma diferença entre estar vestido ou não, era natural, meu corpo como ele é, sem vergonhas e pudores, sem olhar o sexo das pessoas, nem mostrar o meu, somente sendo pessoas de luz, pessoas, mais um, corpos, nus....foi lindo...me mudou profundamente....



O nosso domingo foi mágico, último dia de festival, última festa, começamos com o som cedo, 12pm Lily já tocava suas músicas, outros dois DJ's vieram e nosso camping estava lotado, entramos eu e Jojo para tocar, uns caras apareceram e começaram a fazer sanduíches na chapa para as pessoas, outros trouxeram um tonel de bebidas e outros mágicos musicistas apareceram com seus djembes e percussões, jamming com a gente, eu botava as tracks e eles seguiam no ritmo, tão perfeito, tão lisérgico, era a primeira vez que eu conhecia a energia dos cogumelos mágicos, sentia meu peito aberto e recebendo toda energia, sentia a conexão com a grande mãe, sentia a força da Natureza tão forte que me emocionava ver que eu fazia as pessoas dançarem, me agradecerem pelas músicas, sorrindo aqueles sorrisos largos de olhos revirados e queixos trêmulos, gratitude, essa era a palavra...
Quando o Sol começou a cair era hora de irmos para a Sunset Island onde aconteceria o último pôr do Sol naquele lugar e foi assim, mágico, com o Shane tocando Africa do Toto para fechar o set dele, que momento, momentos, momentos e pessoas, momentos e pessoas, momentos e pessoas...é o que vale da vida...agora, nesse momento....







Voltamos segunda, depois de desmontarmos toda a nossa estrutura, mais umas 6 horas de trabalho e tínhamos tido certeza de não deixar nenhum bituca de cigarro no chão, no trace behind, coração cheio, mais 8 horas de uma estrada tortuosa na volta, mais cheião de AMOR, de ter tido uma das melhores experiências na vida, em festivais, sei que muitos outros virão, sei que muitos outros momentos acontecerão, mas esse ficará como um marco em minha vida, como que se eu tivesse ido passar 5 dias em outro planeta, pois assim eu fiz, e voltei, nunca mais o mesmo...

terça-feira, 9 de maio de 2017

09 May, Night

No bar de rock a noite era de band karaokê, a banda toca o repertório, qualquer um pode subir e cantar as músicas, banda engraçada, vocalista comediante, fazendo piadas com todos, todos riem e tomam umas biritas numa terça fria em Sydney no porão do Frankie's.
Próximo cantor, um garoto, seus 25 no máximo, a música pedida, The Darkness - I believe in a thing called love, nos primeiros acordes lembrei da banda, do vocalista rebolante, o garoto não deixou por menos, começou seu rebolado frenético e desengonçado e cantando a música, caindo sobre o pedestal.
Tomado pela energia vibrante dessa música e do seu rebolado, arrancou a roupa, cantava de cuecas, o integrante engraçado da banda não exitou em baixar as cuecas do jovem rapaz empolgado e esse nem se preocupou, continuou como se nada tivesse acontecendo, para si, pois para a platéia foi um choque ao ver o tamanho do seu saco, gigante, duas bolas de bilhar em um saco de pele que quase chegava no seu joelho, as gargalhadas ecoavam no lugar
Momento ápice, vem o solo de guitarra, ele larga o microfone, agarra as bolas com a mão esquerda puxando aquele monte de peles para o lado esquerdo e com a mão direita faz os gestos de tocar guitarra nas suas bolas....minhas gargalhadas foram tantas que não consegui ver o resto, quando reabri os olhos aquele mesmo integrante da banda que baixou suas cuecas estava colocando elas de volta pra cima.
Todas vez que eu lembro dou muitas gargalhadas, essa imagem tem feito o meu dia mais engraçado hj.



Touching yoouuuuu....

terça-feira, 4 de abril de 2017

Nordeste Australiano


Primeira vez subindo para o Nordeste australiano fiz minha primeira trip para Queensland. Um pedaço bem abençoado da Austrália, principalmente no verão de 2016/2017 me enfiei no carro do meu amigo Jackson ( ou carinhosamente chamado de Jaja) e subimos para uma longa jornada rumo a lugares desconhecidos. Na trip Eu, Gabi, Diego, Servane, Jackson e Flávia. Saímos de Sydney do dia 24 de Dezembro de 2016, rumo a Yamba, no carro as barracas, a camping gear e o estojo mágico.







Em Yamba nada muito o que fazer, ficamos num camping bem coxa, cheio daquelas famílias ricas olhando para as nossas barracas do Kmart de olho torto e o segurança pedindo para não fazermos barulho depois das 10. Como não falar alto depois de todos os aditivos para o Natal...o Natal...bateu forte a ausência de minha mãe no momento da nossa ceio improvisada no meio do camping, mas completa, com presentes que o Diego trouxe, biritas, presuntos e tudo mais....
A cidade é bem pacata, com umas praias bonitas mas nada demais...enfim, pulei na garupa do Bozo e deixei me levar. Dias quentes demais, aquele Sol que derrete as tampas e tentando sair do ritmo da cidade e entrar na vibe de relaxamento que é o que férias deveria significar, embora pra mim esses dias que não trabalho são mais intensos do que os normais e acabo me cansando mais quando estou de folga do que quando estou no ritmo de trabalho. É como costumo aproveitar meu tempo livre, não tendo tempo livre, tendo muitas outras coisas pra fazer....
Mas Yamba deu no saco logo e eu não via a hora de vazar daquele camping de gente branca e rica. Nos mandando para Byron Bay, lugar que eu sempre quis muito conhecer e estava indo pela primeira vez. Nesse momento o carro já tinha ganho o seu nome: Ruivão, o tenebroso!


A parada em Byron foi ótima, a cidade tem uma vibe muito boa, pessoas bonitas andando pelas ruas, músicas em todos os bares, aquela praia bonita, o farol da cidade, gostei muito mas deixei lá com a vontade de ter ficado mais, espero que em breve estarei lá de novo para uma estadia maior, onde eu possa conhecer mais os lugares não só da cidade. Enfim, uma banda massa tocava no bar, o camping muito bom, sem aquela coxinhada, com uns mochileiros de dreadlocks em volta e já colocávamos tudo de volta no carro para a próxima parada que foi Fraser Island.
A maior ilha de areia do mundo e habitada por dingos ( cachorros selvagens que na verdade vimos somente um durante o período todo que estivemos lá ) realmente me surpreendeu pela beleza natural e selvagem. Todos com seus 4X4 equipados para muita areia e trilhas que te levam para lugares paradisíacos. Foi o lugar escolhido para passarmos o Ano Novo 16/17


Paramos os carros em Rainbow Beach para que Diego e Servane pulassem pra dentro do Ruivão e assim que chegamos na ilha tivemos um caminho de mais de uma hora subindo pela costa da praia, na areia, sem estrada, somente a areia e o mar...por mais de uma hora...e eu achando aquilo tão fantástico...tão magnífico...quando vi já estávamos com o nosso camping armado e colocando os pequenos pedaços de cartolina debaixo da língua.
O calor era maior ainda e mesmo na sombra eu podia sentir me queimando....mas com aquela vibe boa....partimos para a expedição na ilha e encontramos o famoso Lake Mackenzie que realmente é foda...o lugar é lindo..um lago de água doce no meio daquelas dunas, água transparente, fresca, relaxante, sem roupa, nadando pelado, mergulhando pro fundo do lago, procurando achar uma passagem secreta pro mundo submerso e poder viver ali pra sempre sem as pressões desse mundo que tanto nos cobra e nos faz sair fumaça das ventas.


Outros lagos durante a nossa estadia e um momento mágico na virada do ano, nosso grupo, só nós seis, descemos para a praia, as pessoas comigo meio devagar, eu sentindo um turbilhão dentro de mim e outros bocejavam, para a vida, para eles mesmos, entediados de começarem mais um ano em suas mesmices e eu aflito, conflito, relutante, alucinado e infinito. Como o Universo, o céu mais estrelado do mundo, a areia molhada pela água do mar refletia as estrelas no chão e se juntavam até o horizonte, faziam tudo parecer um Coisa Só, via os meus pés sobre as estrelas do chão, me vi caminhando no Universo, entendi ser só mais um grão minúsculo nessa praia infinita onde abria-se os portais da mente para o entendimento do Uno. Me via andando solto pelo Universo, me via parte Dele, me sentia que não tem missão coisa nenhuma, o negócio e viver o AGORA e deixar que tudo aconteça. Viver intensamente sem ter uma vida chata e pacata, acho que é essa minha missão....
Olhei para o mar e vi plânctons, achei que era viagem, perguntei aos outros e todos viram, peguei um na mão, fiz um ponto verde luminoso no meu peito e voltei a trilha a pé, na claridade das estrelas.






















Depois de Fraser Island seguimos somente eu, Gabi, Jaja e Flávia mais ainda para o Norte de Queensland numa road trip de 15 horas com paradas para café da manhã, almoço e janta e finalmente chegamos em Arlie Beach, parte de Whitsundays, um lugar muito bonito também, com água cristalina e a areia mais pura do mundo, dizem que usaram essa areia para fazer as lentes do telescópio Hubble. Água cheia de água-viva, passeio de barco com um capitão muito gente fina, golfinhos nos acompanhando, snorkling nos corais e a volta para um chalé, finalmente, após duas semanas dormindo em barracas deitar em um colchão foi realmente gratificante....lugar de gente rica, mas não tão rica quanto a nossa próxima parada que foi após 10 horas dirigindo e paramos em Noosa Beach em Sunshine Coast





Acreditávamos que o doce não estava mais batendo, estava guardado já alguns dias, da última vez fui desacreditado, disseram que por estar no calor por tanto tempo já teria perdido sua essência. Encostamos num café para iniciar o dia em Noosa, 07:30 da manhã, Jaja me olhou e disse: essa porra não funciona mais! vamos tomar inteiro. Eu de pronto: Sim! Um inteiro pra dentro, teríamos meia hora pra tomar o café e sentir o sutil começo de uma vibe desacreditada, já que tínhamos certeza de que não existia mais potência naquele pedaço de papelão velho e amassado.
Pra dentro da boca, sentamos numa mesa na calçada, pedidos feitos, na segunda garfada no meu omelete e KABRUM, senti uma onda forte me batendo e me jogando pra dentro de um buraco negro, pensei: Será mesmo que esta acontecendo? e tive toda certeza do mundo quando olhei pro Jaja e vi que ele se derretia na mesa, com os olhos caídos e a boca trêmula...sentia meu queixo como se fosse uma britadeira...uma tremedeira tomou conta de mim e quando olho para o lado um pequeno dinossauro balbuciava palavras impossíveis de entender, olhei pra frente e olhei para o dinossauro de novo e consegui assimilar que era um senhor bem velho, com uma bengala que perguntava de onde éramos. Deixei que ele tentasse adivinhar, balbuciando palavras impronunciáveis pra ele também, olhava pro Jaja e escrito no meu olhar estava um: PQP! FUDEU! será que eu vou conseguir falar depois disso. Gabriela nos salvou se comunicando com as pessoas, pagou a conta do café e nos guiou para a praia...Me sentia em um outro planeta como se todas as pessoas fossem dinossauros e alienígenas, o zumbido daquela pequena cidade chique, uma sede arrebatadora e a loja de conveniência com o ar condicionado no talo me fez sentir um pequeno desconforto nas costas, coisa simples, fui lá fora e como um contorcionista me estiquei, tentei encostar os dedos da mão no pé, acho que cheguei a encostar, mas antes da alegria me dominar por esse feito lindo da elasticidade pessoal feio o CLACK! e pronto, desloquei o disco da minha coluna na região lombar.
Sentia como se um alicate gigante apertasse minha barriga e costas e não conseguia respirar, não sabia se estava exagerado por conta do efeito do doce ou se algo realmente sério tinha acontecido. Jaja e Gabi me ajudaram a andar e quando entrei no mar pude esticar as minhas costas e sentir que era grave sim, eu tinha fudido minhas costas pra valer e tínhamos acabado de chegar em Noosa...sentia que as férias realmente tinham acabado, pois enfim, faltavam dois dias para eu voltar para Sydney mas eu tinha que aproveitar até o último segundo aquele lugar, que já de cara se mostrava sensacional.
- Gabriela, me empreste sua canga que vou amarrar na cintura!
E numa espécie de cinta com estampas de leopardo eu segui para uma das trilhas mais lindas que já fiz na vida, onde vimos koalas selvagens dormindo nas árvores,  grandes corvos posando para nossas fotos, lagartos gigantes, águias australianas caçando peixes em um paredão de pedras sinistro chamado de Hell's Gate. Uma caminhada de 30 minutos que fizemos em 8 horas, terminamos o outro doce no caminho e o deck de madeira parecia uma ponte móvel se desconstruindo sob meus pés.
Muitas paradas para reflexão, admirando o belo da Natureza, ali, de graça, para os ricaços nos resorts e os hippies nas suas vans viverem aquilo sem barreiras.
Deitamos na areia da praia na volta, de noite, Gabi pegou seu speaker e tocou Because dos Beatles
- Because the wind is high it blows my mind. Because the wind is high



De Noosa fomos com o Ruivão para Brisbane, uma cidade muito massa que eu adorei passar a sexta-feira lá, com mais liberdade e sem as chatices de Sydney com relação a pedidas e afins. Foi muito massa mesmo! Eu adorei a cidade e até considerei morar lá se fosse necessário. Voltei para Sydney de avião, direto para o chiropractor, me estralou, botou de volta pro lugar, mas disse que tava muito fudido. E pronto, iria começar a minha mudança para a casa nova, ainda bem que todos me ajudaram, Gabi me salvou me ajudando em tudo e pronto, as férias tinham acabado e eu estava de volta, cheio de histórias pra contar...


Lembrei durante essa escrita que em Novembro antes dessa trip fui no Subsonic Festival, muito mais pelas pessoas do que pela música, sim, escutei música boa, mas nada ficou tão marcado quanto as pessoas que estávamos lá. Riverwood Downs era o nome do lugar, fazia um calor escaldante mas tinha um rio com água fresca que botavam todos os derretidos em suas temperaturas normais por um tempo. Um fim de semana inteiro acampado com os amigos, passei direto da Sexta pro Sábado a noite e dei por mim acordado na barraca com a história da saga das pessoas que me trouxeram de volta pro camping quando me acharam dormindo enquanto enrolava um cigarro. Os flashbacks foram massa, o domingo foi bem gostoso e relaxante e a volta da estrada pesada com os corpos cansados e as mentes sorridentes



Voltando para Janeiro, uma semana depois de chegar fiz a minha primeira cerimônia de Kambo e foi com certeza uma das experiências mais intensas que já passei na vida. A Força da limpeza intensa me fez renovado e pronto pra mais um ano, de loucas aventuras e um tratamento para o problema de coluna que agora eu tenho, mas sabe...tudo vale a pena se a alma não é pequena....

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Relembrando...


Tentar seguir a ordem cronológica, mas me perco em ordens, em tempo, em recordar em meio a flashbacks, sonhos e realidade. Estive passeando por ai, tenho em mente no que escrever aqui mas deixo passar, não quero me prender à obrigatoriedade, tem que vir espontaneamente, pois não escrevo para ninguém essas linhas, escrevo para mim, pra colocar pra fora, por não confiar nessa cabeça que muito pensa e muito esquece, mas deixo registrar...

Passado quase um ano que não escrevo aqui minhas linhas tortas, mas busquei nas redes algumas das fotos que vai me ajudar a relembrar os fatos acontecidos...


Começo por relembrar a minhas passagem no Brasil em Abril de 2016, fui me despedir da minha mãe, que agora brilha maravilhosamente em outras galáxias...foi bom estar de volta em casa por um tempo, rever as pessoas que gosto e viver momentos intensos novamente, explosões no peito e na mente...cair nas ruas de SP novamente, aquele cheiro da minha cidade, a arte borbulhando...mágico como sempre...
Na volta para Sydney me preparei para o festival que amigos organizam, o Mogo Bush Beats e fui convidado a ser um dos DJ's tocando...onde fiz dois sets e depois de cair de costas as 06 da manhã tive que parar....a psicodelia estava intensa e o domingo chuvoso foi melancólico e úmido...


Clima de festival maravilhoso, no money trade, todos levaram tudo e foi tudo compartilhado lindamente, todos unidos, dividindo comidas, bebidas, doces, abraços, risadas, músicas, três dias de união com os amigos e sentindo as vibrações da Natureza de forma pura e simples, pés no chão, cabeça nas nuvens....




Pouco tempo depois da volta para a cidade já me preparei para o Burning Seeds, que primeiramente era uma versão grande do festival Burning Man mas na Austrália, mas uma semana antes do evento o lugar foi destruído por um temporal. Mãe Terra disse que naquele lugar não aconteceria e assim não aconteceu, mas as pessoas se organizaram entre os camps e decidimos ir para Canberra, num lugar místico chamado Waterworld e os campings se organizaram para fazer acontecer esse clima de compartilhamento de tudo, alma, corpo e coração, com todos, em um outro lugar. E assim foi...as pessoas que eu estava incluído chamamos o nosso camping de Cosmic Oasis e fomos preparados para dias frios e chuvosos...mas todos munidos de suas cápsulas viajadoras de mente fez com que abstraíssemos todas as barreiras e pudemos nos unir e celebrar a vida com música, bebida e muita conexão de graça....
Me senti feliz em ver pais que trazem seus filhos para essas experiências extremas, crianças brincando e aprendendo com os loucos, vendo a nudez como algo natural, sem espanto, livres, crianças sujas de lamas com seus pais sorrindo e dançando...tivemos momentos sublimes lá e com certeza mudamos um pouco por dentro...








Estive por um final de semana também em Melbourne, foi minha primeira vez nessa cidade que todos diziam que eu iria me apaixonar quando fosse lá...e foi o que aconteceu...pura paixão, cidade toda alternativa, com pessoas mais abertas e um clima mais festivo e leve na cidade. A cidade de Sydney é maravilhosa, mas com muitas regras, principalmente quando o assunto é se divertir, as leis em Sydney são menos tolerantes o que é diferente em Melbourne, com seu frio que rasga a carne mas aquece o coração.
Fui com meu parceiro Diego e tivemos um ótimo final de semana conhecendo os lugares ( claro que fiz minhas caminhada solitária pela cidade com minha máquina analógica ) e estando totalmente imerso na leitura do Fear and Loathing in Las Vegas senti-me vivenciando o prazer do momento, da jornada, de sentar na garupa da mobilete do Bozo e ir...sem se preocupar...tatuei a frase "Buy the Ticket, Take The Ride..." em Melbs e levei um tombo de bicicleta no meio da rua pra deixar mais uma outra marca em minha pele com uma boa lembrança...




" No sympathy for the devil; keep that in mind. BUY THE TICKETS, TAKE THE RIDE...and if it occasionally gets a little heavier than what you had in mind, well...maybe chalk it off to forced consciousness expansion: Tune in, FREAK OUT, get beaten "


Foi em Melbourne também que vi Banksy pela primeira vez em um expo bacana, um artista que eu admiro e foi muito gratificante em estar perto de suas obras e sentir a intensidade do que esse(s) artista(s) produz...






E para fechar essa sessão teve minha passagem por Lake Conjola para um final de semana acampando com os amigos, tocando as estrelas, nadando no rio e sendo feliz....foi a despedida de mais um do grupo, dessas amizades superficiais, momentâneas e passageiras, como a maioria das amizades que se faz quando se esta viajando, pessoas que passam na vida por um breve momento mas que podem ou não ser esquecidas...
Foi um fds entre amigos, um lugar onde os cangurus invadem as barracas atrás de comida e as nossas barracas destoaram dos luxuosos trailers e motorhomes espalhados pelo lugar, mas como não é preciso luxo para a felicidade, ríamos mais do que os habituados ao lugar...



( Bendalong Beach )



( Gabriela Brasil, é o nome dessa índia amazônica de Belém do Pará, com gênio forte, sotaque porreta e cheia de carinho. Momentos adocidados nesse pôr do Sol, olho no olho, muitas risadas )


E por enquanto é só....muitas outras por vir, não sei quando volto aqui...

Até!