
Foi mais uma ida ao Brasil, depois de 1ano e 9 meses desde minha última vez, voltei para a terra onde meu coração bate, bate amaldiçoado e frenéticamente, das saudades da Pátria Não Tão Gentil e de se encontrar com os medos e anseios que minha terra me provoca. Tudo tão nostálgico mas ao mesmo tempo me faz não querer estar lá quando encaro violência e a situação que meu povo vive. Segunda vez depois de 4 anos morando na Austrália, reencontros e mais reencontros, com a família, amigos, as ruas, meu bairro, o centro velho, as pequenas mudanças, as grandes mudanças, tudo do mesmo jeito que eu deixei, tudo tão diferente do jeito que eu deixei.
Cheguei em fevereiro, como um bom folião apaixonado pelo Carnaval, depois de 4 anos sem esse calor no meu peito, tive que ir para isso. Para ser mais agraciado, consegui pegar o último ensaio da Rosas de Ouro, a Rosas do meu coração, tão amada por mim, fui com os meus melhores amigos, enchemos a cara, fiquei no samba na rua até as 08:30 da manhã, queria fazer minha casa lá e morar naquele momento para sempre.
Fui, encontrei amigos que fiz aqui na Austrália lá, Jonas e Nico, no Rio, porra, o Rio no Carnaval, pela primeira vez lá durante o Carnaval, que foda, que sensação indescritível, tantas memórias, tantas loucuras, 3 dias sem dormir, fiz todos os blocos de carnaval que pude, os clássicos principalmente, não os famosos, os clássicos.


Santa Tereza foi o bairro que fiquei mais tempo, o Aterro do Flamengo era o quartel general, a Lapa, aaaaahhh a Lapa, aquele frenesi de milhões de coisas acontecendo, vira uma esquina e bang, algo sensacional está acontecendo...Escrevi esse pequeno texto postado no meu facebook depois da loucura do Carnaval no Rio
"Meu primeiro Carnaval no Rio. Blocos, bloquinhos, blocões, Carmelitas, Cacique de Ramos, Orquestra Voadora, Amigos da Onça, Me Enterra na Quarta, Sapucaí, Portela, Salgueiro, amigos antigos, novos amigos, a Babilônia das ruas do Rio, a cultura fervilhante em todos os cantos, sambas, afoxé, ijexá, marchinhas, baile funk até o chão, música eletrônica brasileiríssima até o caroço no Beco das Artes, Lavradio, Lapa, Santa Teresa, um milhão de boas sensações e memórias que me botam um sorriso largo no rosto.
Acabou tudo num temporal, lavando a alma e os corações dos foliões ( meus sentimentos para aqueles que perderam tudo nessa chuva, para aqueles que se foram, paz!)
Obrigado Zé Pilintra pela proteção de me fazer andar pelas ruas de sua cidade sem que nada de ruim tivesse me acontecido, te vi naquele grafite escondido em uma viela, nos vimos, caro amigo.
O Rio é loko! Deixo a cidade maravilhosa com a carne ainda mais de Carnaval pois meoração é igual. Trago na pele purpurina para uma vida inteira. Só brilho! Só mais amor e paixão pelo Carnaval. Obrigado Rio! Foi foda demais! Ass: o maior folião do Brasil!"
Flashback: Bloco Me Enterra na Quarta, fim do Carnaval, chove nas ruas de Santa Tereza, todos descendo sentido a Lapa, a banda de lábios sangrando e mãos cheias de bolhas cantam Emoriô, sem microfones, somente as pessoas cantando "EEeeeee mo ri ôoo, Eeeeee mo ri ô". Chorei, não pude contar, as lágrimas com o sorriso no rosto que ninguém percebia por conta da chuva. Momento sublime de importância fundamental para minha vida!
Voltei para SP de alma lavada e coração cheio, São Paulo ainda continuava em festa, pós carnaval né...teve mais um ou outro bloco durante o fds, mas no domingo preferi um churrasco em casa com todos os amigos. Eri e Caio vieram em casa, tocamos para o meu amado pai, que anda dodói em sua constante batalha mas pude ver ele se encher de alegria ao ver meus amigos no quintal de casa, tocando as suas músicas favoritas, todos se foram, sobraram nós três até a última gota da última garrafa de cachaça.
Jonas, Nico, Phillipe e Jess vieram para SP, levei eles no rolês, Rick e Natalie também estavam, um time da pesada com muita disposição para baladas sem fim, centrão, D-Edge, Madalena, tudo muito intenso e verdadeiro. Passeamos pela terra da garoa e eu me sentia um guia turístico explicando o valor das coisas para os gringos que muitas vezes não entenderiam se ninguém tivesse explicado. Queriam conhecer minha família, vieram para um almoço de domingo, daqueles que acontecem na maioria das casas do brasileiros e eles amaram, minha família se comunicando da maneira que podiam, eu sendo o tradutor. E todos falando a língua universal. O Sorriso, e isso que me traz ao rosto enquanto escrevo essas linhas.


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