sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Grafton April 2020


Caminhando na Floresta, com os amigos, a brotherhood, a nossa expedição no mundo mágico dos cogumelos. A longa estrada antes, horas e horas até Bellingen e mais 45 minutos até Grafton e uma hut no meio da bush. A fogueira acesa logo que chegamos, todos arrumam as coisas no lugar e logo estamos sob o céu estrelado em volta da fogueira, prontos para a jornada do dia seguinte.
A forte neblina a noite, comida sendo preparada no fogo, os meninos confraternizando e logo fomos dormir. A manhã seguinte começamos cedo com um café da manhã leve e sentia a energia dos preparativos para uma cerimônia, todos com suas intenções em suas mentes e começamos a preparar os chás de cada um, com a escolha da dose que cada um sentiu.
Eu já estava me preparando para uma grande dose desde que decidimos ir para essa jornada, queria entrar em total contato com o mundo dos Cogumelos, Honchos, Mushrooms, já tinha tido algumas boas experiências antes, outra tanto diferente quando reagiu errado na minha barriga, mas nunca tinha ido pra perto das 5g de uma vez e eu estava pronto.
Sentamos em uma grande roda, éramos 11 dessa vez e fizemos uma espécie de abertura, outros irmãos que já tinham ido em cerimônias e outros completamente pela experiência. Abrimos os trabalhos, tomamos nosso lemon juice e fizemos breathing work, ciclos de respiração, abri os olhos e as nuvens já estavam em camadas, levantamos e fomos caminhar na floresta logo ao lado de onde estávamos.
Foram apenas alguns metros a diante e senti como se um portal tivesse aberto no meio da floresta e fomos submergidos para essa outra dimensão.
O grupo estava junto nesse ponto, alguns começaram a desmoronar, sentando no chão, deitando, não conseguindo se comunicar e eu sentia essa vibração aumentando e aumentando cada vez mais, os visuais já eram muito intensos e eu mau conseguia conceber o que eu via e sentia.  O barulho dos outros meninos começou a me causar desconforto, as risadas, tosses, brincadeiras, começaram a me incomodar e eu tive que me afastar, sentia que algo grande estava por vir, não queria estar sozinho mas não me sentia confortável com o resto do grupo. Tive que me afastar e em minha mente vinha que eu tinha que procurar o Beppe, ele tbm tinha tomado uma high dose e eu não via ele por perto.  
No meio dessa turbulência mental, as plantas tomando vida, as árvores com longos braços me apontando o caminho, pequenos gnomos corriam pelo chão, limpando o caminho por onde eu andava, mandalas saltavam das árvores, as veias iluminadas das plantas, esse arbusto em forma de fractal me puxava pra dentro sempre que eu olhava pra ele. Vi o Beppe andando lá no fundo e fui na direção dele, disse que eu precisava sentar e queria ele por perto.
Nesse momento minhas memórias são vagas do que aconteceu, mas os visuais tomaram conta de mim, da minha mente e meu corpo, comecei a fazer sons e me mover de forma aleatória. Meu corpo estava possuído por essa energia, comecei a gritar como se eu estivesse em uma montanha russa. Oh my gosh! Broootherrsss! Beppe estava nas minhas costas me segurando e foi quando eu tive essa incrível experiência com ele, como se nossos corpos e mentes tivessem se unido, eu conseguia ver e ouvir o que ele pensava e ele o mesmo, eu via pelos olhos dele, pude me ver em seus braços e num lapso eu voltava a mim mesmo e acontecia de novo. Essa integração total com o próximo, me sentia integrado com a Natureza e todos os seres, as árvores falavam comigo, os elementais, muito intenso, fazendo eu perder todos os sentidos e apenas sendo guiado por essa força maior.
Em um momento levantei, forte e imponente, como se eu tivesse esse líder comigo, um líder maori ou alguma tribo parecida, sentia ele dentro do meu corpo, comecei a tirar minha roupa, meus sapatos, estava em meu elemento e comecei a falar muitas coisas nesse momento, para a irmandade, como um sermão para as montanhas, para todos ali, para mim mesmo principalmente. 
Começava a voltar a mim, começava a entender e apreciar os visuais novamente, ficando mais gentis e deixando eu apreciar com mais tranquilidade. 
Sentei numa árvore caída, ainda falava com esse líder, olhava para o horizonte e enxergava essa dimensão de fractais e símbolos e seres pairando pelo ar.... a energia foi baixando e o Jonas e o Paul me encontraram, trouxeram meu poncho e estávamos todos de volta para essa dimensão e eu já podia sentir o calor do fogo que acenderíamos de volta ao acampamento.
Todos nos encontramos pelo caminho, todos esboçavam aquela cara de: Meu Deus! O que aconteceu agora? E ríamos contando nossas experiências.
De volta para a hut, acendemos o fogo, comecei a tocar o Yidaki, o Sol se punha no horizonte, uma nuvem na frente e quando essa aos poucos se abria para o Sol passar uma imensa borboleta de luzes se formava aos meus olhos vendo os raios solares se abrirem de forma espetacular. Aplaudimos, a empolgação das maravilhas diárias de Natureza, que nunca prestamos atenção mas quando paramos para observar entendemos a complexidade das coisas simples da vida. Quão intenso e mágico pode ser o pôr do Sol. 
Noite adentro, mais comidas ao fogo, histórias e reflexões, muitas reflexões. Eu e o Beppe nos abraçamos sem muitas palavras sabendo o que tinha acontecido, ainda integrando. Um pequeno pedaço de chocolate com mais um pouco de cogumelos para carregar-nos para a noite, violão tocando músicas do coração, era noite de Lua Cheia, os meninos uivavam pra a Lua, em estado bruto todos nós lá estávamos.
Todos juntos e cansados depois de uma jornada incrível em outras dimensões. Muito para ser processado.
Um dia seguinte leve e tranquilo com um bush walk e a estrada da volta foi flutuando sob nossas rodas.
E a mágica da vida continua sem parar. Cogumelos são seres sagrados de muito difícil de explicar em palavras e conseguir conceber nessa ordem de pensamento feito por palavras de conseguir definir a profundidade dessa experiência. Continuar estudando e aprendendo e me comunicar com essa entidade pré histórica que habita o nosso planeta e pode ser tão poderoso de diversas formas. A grande Maria Sabina sempre vem a minha mente nesses momentos e como ela tratava os honchos como seres iluminados e o respeito que se deve ter ao se comunicar com esse ser. Agradeço a oportunidade de poder ter experiências como essa e me aprofundar dentro do conhecimento do meu próprio ser, da minha existência e como levar a vida mais integrado comigo mesmo e com os Seres Superiores. Viva! 

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