quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Burning Seed Festival 2017


O destino era Matong Forest, perto de Wagga Wagga, umas boas 7 horas dirigindo de Sydney, esperávamos todos ansiosos para esse festival, já que ano passado foi cancelado por motivos de chuva e tivemos que mudar os planos para o nosso camping intitulado Cosmic Oasis e que ficou somente Oasis para esse ano. Mas esse ano não, seria o evento principal com toda aquela ideologia de que tudo no festival ser disponibilizado sem dinheiro, ou seja, tudo o que era oferecido no festival, bebidas, comidas e todas as atrações eram sem dinheiro envolvidos, pessoas doando seu trabalho, seu tempo, fazem aquilo acontecer de forma mágica e intensa.
Foi assim no Oasis, trouxemos uma piscina de 10.000 litros, equipamento de som e nossos corações abertos para 5 dias de celebração da vida e da existência.



Muitos campings espalhados pela fazendo, cada um com um tipo de música diferente, alguns somente durante o dia, outros durante a noite, 24horas de música e liberdade, liberdade em um sentido tão amplo que as pessoas não se importavam em vestir roupas ou de parar para ter uma conversa intensa ou somente um olá passageiro e um brinde de copos. 4.000 pessoas juntas, como se fosse um grande grupo. O naturismo estava presente tão naturalmente que não causava nenhuma estranheza em ver as pessoas dançando peladas, ainda mais no nosso camping onde tínhamos a piscina, as pessoas apenas continuavam nuas dançando na pista de dança onde eu e mais outros DJ's tocamos, outros caras que apareceram querendo tocar suas músicas e fazer a festa acontecer...tudo sublime, acontecendo, sem muito planejamento ( claro que pensamos em nosso camping antes ) mas tudo o que aconteceu foi pura sinergia do Universo fazendo aquelas pessoas juntas construirem algo naquele lugar, naquele momento.



Me senti totalmente livre no momento da queima da efíge, o Burning Man, que incendiou-se, com todos dançando a sua volta e quando a estrutura rompeu as barreiras e desmoronou foi qndo quase todos, que sentiram essa onda de liberdade começaram a tirar as roupas e correr envolta daquela gigantesca fogueira. Sentia a atração do fogo, hipnotizado pelas chamas foi me aproximando do fogo e vendo as pessoas em ecstasy correndo, correndo, correndo, correndo, minhas roupas já estavam em minhas mãos, logo depois que ganhei um abraço e um sussuro no meu ouvido dizendo: be free! Não pensei em nenhum momento que ficaria despido assim em público e o que mais me enchia de energia é que eu não sentia alguma diferença entre estar vestido ou não, era natural, meu corpo como ele é, sem vergonhas e pudores, sem olhar o sexo das pessoas, nem mostrar o meu, somente sendo pessoas de luz, pessoas, mais um, corpos, nus....foi lindo...me mudou profundamente....



O nosso domingo foi mágico, último dia de festival, última festa, começamos com o som cedo, 12pm Lily já tocava suas músicas, outros dois DJ's vieram e nosso camping estava lotado, entramos eu e Jojo para tocar, uns caras apareceram e começaram a fazer sanduíches na chapa para as pessoas, outros trouxeram um tonel de bebidas e outros mágicos musicistas apareceram com seus djembes e percussões, jamming com a gente, eu botava as tracks e eles seguiam no ritmo, tão perfeito, tão lisérgico, era a primeira vez que eu conhecia a energia dos cogumelos mágicos, sentia meu peito aberto e recebendo toda energia, sentia a conexão com a grande mãe, sentia a força da Natureza tão forte que me emocionava ver que eu fazia as pessoas dançarem, me agradecerem pelas músicas, sorrindo aqueles sorrisos largos de olhos revirados e queixos trêmulos, gratitude, essa era a palavra...
Quando o Sol começou a cair era hora de irmos para a Sunset Island onde aconteceria o último pôr do Sol naquele lugar e foi assim, mágico, com o Shane tocando Africa do Toto para fechar o set dele, que momento, momentos, momentos e pessoas, momentos e pessoas, momentos e pessoas...é o que vale da vida...agora, nesse momento....







Voltamos segunda, depois de desmontarmos toda a nossa estrutura, mais umas 6 horas de trabalho e tínhamos tido certeza de não deixar nenhum bituca de cigarro no chão, no trace behind, coração cheio, mais 8 horas de uma estrada tortuosa na volta, mais cheião de AMOR, de ter tido uma das melhores experiências na vida, em festivais, sei que muitos outros virão, sei que muitos outros momentos acontecerão, mas esse ficará como um marco em minha vida, como que se eu tivesse ido passar 5 dias em outro planeta, pois assim eu fiz, e voltei, nunca mais o mesmo...

terça-feira, 9 de maio de 2017

09 May, Night

No bar de rock a noite era de band karaokê, a banda toca o repertório, qualquer um pode subir e cantar as músicas, banda engraçada, vocalista comediante, fazendo piadas com todos, todos riem e tomam umas biritas numa terça fria em Sydney no porão do Frankie's.
Próximo cantor, um garoto, seus 25 no máximo, a música pedida, The Darkness - I believe in a thing called love, nos primeiros acordes lembrei da banda, do vocalista rebolante, o garoto não deixou por menos, começou seu rebolado frenético e desengonçado e cantando a música, caindo sobre o pedestal.
Tomado pela energia vibrante dessa música e do seu rebolado, arrancou a roupa, cantava de cuecas, o integrante engraçado da banda não exitou em baixar as cuecas do jovem rapaz empolgado e esse nem se preocupou, continuou como se nada tivesse acontecendo, para si, pois para a platéia foi um choque ao ver o tamanho do seu saco, gigante, duas bolas de bilhar em um saco de pele que quase chegava no seu joelho, as gargalhadas ecoavam no lugar
Momento ápice, vem o solo de guitarra, ele larga o microfone, agarra as bolas com a mão esquerda puxando aquele monte de peles para o lado esquerdo e com a mão direita faz os gestos de tocar guitarra nas suas bolas....minhas gargalhadas foram tantas que não consegui ver o resto, quando reabri os olhos aquele mesmo integrante da banda que baixou suas cuecas estava colocando elas de volta pra cima.
Todas vez que eu lembro dou muitas gargalhadas, essa imagem tem feito o meu dia mais engraçado hj.



Touching yoouuuuu....

terça-feira, 4 de abril de 2017

Nordeste Australiano


Primeira vez subindo para o Nordeste australiano fiz minha primeira trip para Queensland. Um pedaço bem abençoado da Austrália, principalmente no verão de 2016/2017 me enfiei no carro do meu amigo Jackson ( ou carinhosamente chamado de Jaja) e subimos para uma longa jornada rumo a lugares desconhecidos. Na trip Eu, Gabi, Diego, Servane, Jackson e Flávia. Saímos de Sydney do dia 24 de Dezembro de 2016, rumo a Yamba, no carro as barracas, a camping gear e o estojo mágico.







Em Yamba nada muito o que fazer, ficamos num camping bem coxa, cheio daquelas famílias ricas olhando para as nossas barracas do Kmart de olho torto e o segurança pedindo para não fazermos barulho depois das 10. Como não falar alto depois de todos os aditivos para o Natal...o Natal...bateu forte a ausência de minha mãe no momento da nossa ceio improvisada no meio do camping, mas completa, com presentes que o Diego trouxe, biritas, presuntos e tudo mais....
A cidade é bem pacata, com umas praias bonitas mas nada demais...enfim, pulei na garupa do Bozo e deixei me levar. Dias quentes demais, aquele Sol que derrete as tampas e tentando sair do ritmo da cidade e entrar na vibe de relaxamento que é o que férias deveria significar, embora pra mim esses dias que não trabalho são mais intensos do que os normais e acabo me cansando mais quando estou de folga do que quando estou no ritmo de trabalho. É como costumo aproveitar meu tempo livre, não tendo tempo livre, tendo muitas outras coisas pra fazer....
Mas Yamba deu no saco logo e eu não via a hora de vazar daquele camping de gente branca e rica. Nos mandando para Byron Bay, lugar que eu sempre quis muito conhecer e estava indo pela primeira vez. Nesse momento o carro já tinha ganho o seu nome: Ruivão, o tenebroso!


A parada em Byron foi ótima, a cidade tem uma vibe muito boa, pessoas bonitas andando pelas ruas, músicas em todos os bares, aquela praia bonita, o farol da cidade, gostei muito mas deixei lá com a vontade de ter ficado mais, espero que em breve estarei lá de novo para uma estadia maior, onde eu possa conhecer mais os lugares não só da cidade. Enfim, uma banda massa tocava no bar, o camping muito bom, sem aquela coxinhada, com uns mochileiros de dreadlocks em volta e já colocávamos tudo de volta no carro para a próxima parada que foi Fraser Island.
A maior ilha de areia do mundo e habitada por dingos ( cachorros selvagens que na verdade vimos somente um durante o período todo que estivemos lá ) realmente me surpreendeu pela beleza natural e selvagem. Todos com seus 4X4 equipados para muita areia e trilhas que te levam para lugares paradisíacos. Foi o lugar escolhido para passarmos o Ano Novo 16/17


Paramos os carros em Rainbow Beach para que Diego e Servane pulassem pra dentro do Ruivão e assim que chegamos na ilha tivemos um caminho de mais de uma hora subindo pela costa da praia, na areia, sem estrada, somente a areia e o mar...por mais de uma hora...e eu achando aquilo tão fantástico...tão magnífico...quando vi já estávamos com o nosso camping armado e colocando os pequenos pedaços de cartolina debaixo da língua.
O calor era maior ainda e mesmo na sombra eu podia sentir me queimando....mas com aquela vibe boa....partimos para a expedição na ilha e encontramos o famoso Lake Mackenzie que realmente é foda...o lugar é lindo..um lago de água doce no meio daquelas dunas, água transparente, fresca, relaxante, sem roupa, nadando pelado, mergulhando pro fundo do lago, procurando achar uma passagem secreta pro mundo submerso e poder viver ali pra sempre sem as pressões desse mundo que tanto nos cobra e nos faz sair fumaça das ventas.


Outros lagos durante a nossa estadia e um momento mágico na virada do ano, nosso grupo, só nós seis, descemos para a praia, as pessoas comigo meio devagar, eu sentindo um turbilhão dentro de mim e outros bocejavam, para a vida, para eles mesmos, entediados de começarem mais um ano em suas mesmices e eu aflito, conflito, relutante, alucinado e infinito. Como o Universo, o céu mais estrelado do mundo, a areia molhada pela água do mar refletia as estrelas no chão e se juntavam até o horizonte, faziam tudo parecer um Coisa Só, via os meus pés sobre as estrelas do chão, me vi caminhando no Universo, entendi ser só mais um grão minúsculo nessa praia infinita onde abria-se os portais da mente para o entendimento do Uno. Me via andando solto pelo Universo, me via parte Dele, me sentia que não tem missão coisa nenhuma, o negócio e viver o AGORA e deixar que tudo aconteça. Viver intensamente sem ter uma vida chata e pacata, acho que é essa minha missão....
Olhei para o mar e vi plânctons, achei que era viagem, perguntei aos outros e todos viram, peguei um na mão, fiz um ponto verde luminoso no meu peito e voltei a trilha a pé, na claridade das estrelas.






















Depois de Fraser Island seguimos somente eu, Gabi, Jaja e Flávia mais ainda para o Norte de Queensland numa road trip de 15 horas com paradas para café da manhã, almoço e janta e finalmente chegamos em Arlie Beach, parte de Whitsundays, um lugar muito bonito também, com água cristalina e a areia mais pura do mundo, dizem que usaram essa areia para fazer as lentes do telescópio Hubble. Água cheia de água-viva, passeio de barco com um capitão muito gente fina, golfinhos nos acompanhando, snorkling nos corais e a volta para um chalé, finalmente, após duas semanas dormindo em barracas deitar em um colchão foi realmente gratificante....lugar de gente rica, mas não tão rica quanto a nossa próxima parada que foi após 10 horas dirigindo e paramos em Noosa Beach em Sunshine Coast





Acreditávamos que o doce não estava mais batendo, estava guardado já alguns dias, da última vez fui desacreditado, disseram que por estar no calor por tanto tempo já teria perdido sua essência. Encostamos num café para iniciar o dia em Noosa, 07:30 da manhã, Jaja me olhou e disse: essa porra não funciona mais! vamos tomar inteiro. Eu de pronto: Sim! Um inteiro pra dentro, teríamos meia hora pra tomar o café e sentir o sutil começo de uma vibe desacreditada, já que tínhamos certeza de que não existia mais potência naquele pedaço de papelão velho e amassado.
Pra dentro da boca, sentamos numa mesa na calçada, pedidos feitos, na segunda garfada no meu omelete e KABRUM, senti uma onda forte me batendo e me jogando pra dentro de um buraco negro, pensei: Será mesmo que esta acontecendo? e tive toda certeza do mundo quando olhei pro Jaja e vi que ele se derretia na mesa, com os olhos caídos e a boca trêmula...sentia meu queixo como se fosse uma britadeira...uma tremedeira tomou conta de mim e quando olho para o lado um pequeno dinossauro balbuciava palavras impossíveis de entender, olhei pra frente e olhei para o dinossauro de novo e consegui assimilar que era um senhor bem velho, com uma bengala que perguntava de onde éramos. Deixei que ele tentasse adivinhar, balbuciando palavras impronunciáveis pra ele também, olhava pro Jaja e escrito no meu olhar estava um: PQP! FUDEU! será que eu vou conseguir falar depois disso. Gabriela nos salvou se comunicando com as pessoas, pagou a conta do café e nos guiou para a praia...Me sentia em um outro planeta como se todas as pessoas fossem dinossauros e alienígenas, o zumbido daquela pequena cidade chique, uma sede arrebatadora e a loja de conveniência com o ar condicionado no talo me fez sentir um pequeno desconforto nas costas, coisa simples, fui lá fora e como um contorcionista me estiquei, tentei encostar os dedos da mão no pé, acho que cheguei a encostar, mas antes da alegria me dominar por esse feito lindo da elasticidade pessoal feio o CLACK! e pronto, desloquei o disco da minha coluna na região lombar.
Sentia como se um alicate gigante apertasse minha barriga e costas e não conseguia respirar, não sabia se estava exagerado por conta do efeito do doce ou se algo realmente sério tinha acontecido. Jaja e Gabi me ajudaram a andar e quando entrei no mar pude esticar as minhas costas e sentir que era grave sim, eu tinha fudido minhas costas pra valer e tínhamos acabado de chegar em Noosa...sentia que as férias realmente tinham acabado, pois enfim, faltavam dois dias para eu voltar para Sydney mas eu tinha que aproveitar até o último segundo aquele lugar, que já de cara se mostrava sensacional.
- Gabriela, me empreste sua canga que vou amarrar na cintura!
E numa espécie de cinta com estampas de leopardo eu segui para uma das trilhas mais lindas que já fiz na vida, onde vimos koalas selvagens dormindo nas árvores,  grandes corvos posando para nossas fotos, lagartos gigantes, águias australianas caçando peixes em um paredão de pedras sinistro chamado de Hell's Gate. Uma caminhada de 30 minutos que fizemos em 8 horas, terminamos o outro doce no caminho e o deck de madeira parecia uma ponte móvel se desconstruindo sob meus pés.
Muitas paradas para reflexão, admirando o belo da Natureza, ali, de graça, para os ricaços nos resorts e os hippies nas suas vans viverem aquilo sem barreiras.
Deitamos na areia da praia na volta, de noite, Gabi pegou seu speaker e tocou Because dos Beatles
- Because the wind is high it blows my mind. Because the wind is high



De Noosa fomos com o Ruivão para Brisbane, uma cidade muito massa que eu adorei passar a sexta-feira lá, com mais liberdade e sem as chatices de Sydney com relação a pedidas e afins. Foi muito massa mesmo! Eu adorei a cidade e até considerei morar lá se fosse necessário. Voltei para Sydney de avião, direto para o chiropractor, me estralou, botou de volta pro lugar, mas disse que tava muito fudido. E pronto, iria começar a minha mudança para a casa nova, ainda bem que todos me ajudaram, Gabi me salvou me ajudando em tudo e pronto, as férias tinham acabado e eu estava de volta, cheio de histórias pra contar...


Lembrei durante essa escrita que em Novembro antes dessa trip fui no Subsonic Festival, muito mais pelas pessoas do que pela música, sim, escutei música boa, mas nada ficou tão marcado quanto as pessoas que estávamos lá. Riverwood Downs era o nome do lugar, fazia um calor escaldante mas tinha um rio com água fresca que botavam todos os derretidos em suas temperaturas normais por um tempo. Um fim de semana inteiro acampado com os amigos, passei direto da Sexta pro Sábado a noite e dei por mim acordado na barraca com a história da saga das pessoas que me trouxeram de volta pro camping quando me acharam dormindo enquanto enrolava um cigarro. Os flashbacks foram massa, o domingo foi bem gostoso e relaxante e a volta da estrada pesada com os corpos cansados e as mentes sorridentes



Voltando para Janeiro, uma semana depois de chegar fiz a minha primeira cerimônia de Kambo e foi com certeza uma das experiências mais intensas que já passei na vida. A Força da limpeza intensa me fez renovado e pronto pra mais um ano, de loucas aventuras e um tratamento para o problema de coluna que agora eu tenho, mas sabe...tudo vale a pena se a alma não é pequena....