
Começo
aqui um novo capítulo dessa história, seja talvez o motivo por ter demorado
mais para escrever e botar pra fora toda essa nova experiência que acontece em
minha vida. Mudei de país, sai do Brasil e vim tentar a vida do outro lado do
planeta, mais especificamente em Sydney, na Austrália. No final do ano de 2013 sai da empresa que trabalhei por quase 6 anos e como já sentia que
estava precisando de novos objetivos e novas aventuras para a minha vida,
resolvi embarcar num avião e vir conhecer um novo país, mas não só conhecer com
um turista faz e sim viver num lugar, por um longo período e experimentar novos
hábitos e um diferente estilo de vida.
Semana passada fez quatro meses que estou aqui e muita coisa aconteceu nesse
pequeno período mas que já parece bastante tempo. Continuo estudando, fazendo
um curso de inglês básico para melhorar meu inglês, mas sei que é só mesmo na
convivência e falando com as pessoas que podemos deixar ele mais fluente e
sentir mais confiança para falarmos e entendermos sem ficar perdido e com
aquela cara de “não entendi nada o que você falou” . Sinto que nesses meses meu
inglês melhorou bastante.

Os
primeiros dias aqui foram de descobrimento e diversão, quis sair conhecendo os
lugares e a cidade, que é bem bonita e organizada mas também tem um monte de
gente maluca, mendingos, junkies e gente de todos os lugares do mundo.
Fiz algumas amizades com brasileiros e com estrangeiros, principalmente com o
pessoal da escola. Cervejas no Maloney’s ou no Scruff Murphys na sexta-feira
depois da aula e fui apresentado ao Frankies Pizza, um porão que além de servir
pizza, claro, também tem uma grande pista onde rola só os clássicos do rock n
roll e as vezes bandas ao vivo, sempre que da ainda passo lá...fui apresentado
a esse lugar por um cara que se tornou grande parceiro aqui, o Azedo, que foi
apresentado virtualmente pela Tati, amiga do Brasil, da galera da augusta e
pilatragi e que depois de 10 minutos de conversa descobrimentos que temos
vários amigos em comum em SP. Foi o Azedo também que me levou a uns dos
melhores shows de rock que já fui em minha vida, o Wolfmother, um banda
australiana de rock progressivo, com um vocal pegada de Black Sabbat que faz
todo mundo sair pulando pelo lugar. Sensacional, com certeza inesquecível.
Para
ficar aqui na cidade escolhi o Elephant Backpacker, que acabou se tornando meu
novo lar, é um hostel que funciona dentro de um antigo prédio na cidade no
bairro de Woolloomooloo, esse nome engraçado que eu adoro ficar repetindo, um
bairro residencial, mais simples, que oferece de tudo e perto do centro
comercial, ou seja, perfeito. E as pessoas do hostel são muito legais, talvez
seja esse o motivo de eu ter ficado aqui, pois vim para ficar apenas uma ou
duas semanas e já estou fazendo quatro meses e sem previsão de sair, também
porque comecei a trabalhar no café que tem aqui dentro, trabalho por acomodação
e por experiência de vida. Comecei a trabalhar aqui depois do primeiro mês,
quando decidi que precisava arrumar algo para levantar dinheiro e poder
continuar fazendo as coisas que desejo fazer, sem contar que é divertido, não
que seja fácil, pois, principalmente no horário da manhã alguns dias é bem
cheio, então tem bastante trabalho, mas só tenho que fazer isso dois dias para
pagar a minha semana. Marco, o gerente inglês do café e Nigel, o neozelandês
maluco cheio de tiques e falando sozinho são meus companheiro de trabalho.



Os amigos no hostel foram bem especiais em todos esses dias, são os companheiros do dia a dia, pra quem contamos nossas histórias e fazemos essa troca de outras histórias, costumes e choques culturais. Esses caras são com quem já dividi o quarto ou era vizinho dentro do hostel, todas as sextas ou sábados, ou os dois, tomamos algumas cervejas e vamos para algum lugar diferente...franceses, ingleses, alemães, chilenos, todo mundo junto, curtindo a vida, ralando bastante e dando risada...
Começando
o segundo mês aqui eu arrumei trabalho com um uruguaio chamado Leo que tem uma
pequena empresa de demolição e remoção de entulhos e foi assim, que após
retirar meu White card (carteira para poder trabalhar em obras) que vesti
minhas botas com ponta de aço, minha camisa verde neon, minhas luvas de couro
fedido e fui destruir o quintal de uma mansão em North Sydney com uma
britadeira, além de ter que
carregar entulhos, tijolos e afins. Trabalho braçal
árduo, mas que incrivelmente ocupa sua mente e que alivia as dores musculares
quando você recebe um bom dinheiro por uma semana de trabalho. E assim fiquei
por quase uns 15 dias fazendo esse tipo de função e que nas semanas seguintes
ainda geraram um ou outro dia de trabalho.

Junto
com isso apareceu a oportunidade através de um anúncio que um brasileiro fez no
grupo do facebook que os brazucas trocam informações com outros que moram aqui
na cidade, sobre uma festa e mandei para o Fernando, o organizador da festa,
meus trabalhos como dj de música brasileira, das festas que eu já tinha tocado
no Brasil. Ele gostou e na mesma semana já me convidou para tocar no Hotel
Steyne em Manly Beach, um lugar muito bonito, com uma praia sensacional e o
lugar com uma varanda para essa praia, festa que rola música brasileira e
reggae aos domingos e ali pude começar a tocar quase todos os domingos, fazendo
aquilo que amo fazer, que é tocar música, não importa se com instrumentos, como
eu adoro fazer ou com o computador, botando pra tocar aquilo que acho que tem
de melhor nos estilos que cabem à festa. Além de ganhar uma grana extra e poder
beber ótimas cervejas importadas “por conta da casa”. Algo
que fiz nesse período foi visitar o Morriset Park, um dia muito especial, onde
após quase duas horas de viagem de trem pude chegar a um parque onde tem um
hospital psiquiátrico e vários cangurus vivem livremente nesse lugar e é
possível ter esse contato de perto com esse animal que é um dos símbolos desse
país, me senti entrando no filme Jurrasic Park, com aqueles bichos esquisitos
grandes pulando de um lado para o outro num enorme gramado e procurando em suas
mãos o que você trouxe para eles comerem. Um lugar muito lindo com um enorme
lago bem ao lado e passei o dia lá, vendo os animais, curtindo aquele lugar e
pensando como deveria ser a vida dos internados daquele hospital. Na volta, eu
e meu amigo francês Ben, perdemos a hora e o dia acabou escurecendo, o que nos
fez fazer o caminho de quase 5 km de caminhada em total escuridão, total mesmo,
sem nenhuma luz de poste, somente a Lua iluminando o caminho de volta, tornando
o momento mágico e engraçado com as trapalhadas do Ben...


Já
para o terceiro mês, com as coisas já caminhando e eu podendo pagar todas as
minhas despesas com o dinheiro que ganho aqui mesmo, comecei a trabalhar em
outra empresa de mudanças, a Grace Removals, indicado por um garoto brasileiro que
tem uma amiga em comum comigo e onde consegui sair da obra e daquele trabalho
mais pesado e conseguir algo melhor. Mas que mesmo assim, nas primeiras semanas
não tive trabalho para todos os dias, apenas um ou outro durante a semana, mas
dependendo de um novo contrato eles me escalam para todos os dias. Ainda estou
nessa empresa e que tem vários brasileiros trabalhando também, com um ambiente
de trabalho legal e sempre fazendo algo diferente, mesmo que basicamente todos
eu tenha que apenas usar os músculos. E nesse quarto mês pegamos um trabalho na
biblioteca da cidade, então a minha função se resume basicamente em pegar livros da
estante, estou fazendo isso 10 horas todos os dias por 5
semanas....rsrs....entediante, mas o bolso sorri aliviado...
Fui
nesse último final de semana ver uma outra banda australiana muito engraçada
com o nome The Beards, e como estou cultivando minha longa barba, fiz questão
de ir ver de perto. Muito engraçado, o show foi super divertido com todas as
músicas falando sobre barba e eles fazendo um grande culto de celebração aos
pelos na cara...ahahahah
Texto
grande, mas talvez pequeno para tudo o que tem acontecido aqui, creio que eu
deva escrever com mais frequência agora para deixar esse diário sempre
atualizado, pois quero que muitas e muitas outras coisas fiquem registradas
para quem sabe no futuro eu possa relembrar com ajuda dessa ferramenta todas as
viagens e experiências em minha vida.
Mais algumas fotos:
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| meu bairro favorito, porque aqui é nóis mate! |
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| NEWNTOWN! |
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| Autêntico churrasquinho australiano |
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| H.S.Thompson feelings |
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| Primeira vez dirigindo na mão inglesa, carro ao contrário, tudo ao contrário...rs |
Seeya!